O Primeiro beijo…

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Daí um dia chega uma jovem para mim com esse papo…. Olha só: – Tem um cara na escola, sei lá… ele é tão, tão lindo. Eu acho que ele está a fim de mim. Eu sou “BV” – como a gente fala boca virgem, eu nunca beijei. Era que está na hora?

Que momento lindo que você está vivendo. Como é bom sentir a sensação da conquista, do primeiro encontro, o primeiro beijo. Hora certa? É difícil saber, mas eu vou te contar uma história que aconteceu entre mim e a minha avó.

Era uma tarde de domingo, estávamos nós duas em casa, minha avó e eu. Contava a ela sobre um garoto que eu havia conhecido, tão lindo!… Dizia sobre ele com muito entusiasmo, só um garoto lindo, que ‘todas’ as meninas queriam de forma especial. Não disse, em nenhum momento, que estava interessada nele, nem precisava…
Minha avó me convidou para continuar a conversa no quarto dela. Chegando lá, ela e me perguntou – Querida, o que aqui, nesse quarto, chama mais a tua atenção? Eu olhei, olhei e respondi – aquela caixinha… Era uma caixinha de jóias antiga, feita com madeira entalhada. Nada demais, mas chamava muito a minha atenção.

A Vovó me perguntou – Por que essa caixinha?

11222062_188876491451659_7079613533538066434_n[1]Eu respondi – Sei lá… acho que eu quero ver o que tem dentro. Parece que vai sair uma linda jóia dali.

Então a minha avó me deu a pequena chave da caixinha e mandou que eu a abrisse. Tinham apenas alguns badulaques, mas eu adorei tê-la aberto, a sensação de desvendar algum segredo foi deliciosa e os badulaques se transformaram em jóias, tamanha beleza que eu vi nas peças guardadas.

Calmamente minha avó sentou-se comigo e comparou a caixa com o corpo da gente e o conteúdo dela, como nossa alma, que guarda nossas histórias, nossos sentimentos e nossos sonhos. Ela disse que tínhamos que cuidar muito bem da caixinha porque nossa alma seria preservada através dela.

O corpo pode chamar muita atenção, como a caixa perdida no imenso quarto, cheio de coisas para eu olhar, mas mesmo assim, o que realmente me chamava a atenção era o conteúdo que a caixa guardava.

E ela dizia: – Se seu corpo é capaz de guardar tantas emoções vividas, tantas histórias, tantos romances, e mais! Tantas expectativas, você acha justo que qualquer língua vá invadindo esse santuário tão forte? Não!… Não é justo com a sua caixa de jóia porque você estará ocupando seu espaço com coisas não importantes. Coloque para dentro do seu corpo, da sua caixa, aquilo que julgar lindo e precioso, não necessariamente jóias caras. Só assim sua caixa terá valor.

O exemplo da caixa ela usava pra tudo, tanto para os beijos sem a menor importância, quanto para comidas não saudáveis. Muitas vezes falou da caixa para dizer não poderia guardar mágoa ou rancor dentro da minha caixa, porque são tão corrosivos que acabariam com as minhas jóias.

A caixa de jóias da minha avó mora hoje em meu quarto. Sinto nela a emoção daquele momento que me fez ver de forma diferente a minha alma, o meu coração e a importância de guardar minhas lembranças como retalho de vida que me aquecem diariamente.

Caixa de jóias… cuide bem da sua. E agora responda você pra mim: é esse o beijo que você quer guardar na sua caixinha como o primeiro, tão importante, tão cheio de significados? Se esse menino lindo tem essa importância… não hesite e dê seu primeiro beijo.