A Adversidade faz a História

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Você se lembra de suas férias? Qual a mais inesquecível?

As minhas férias foram sempre extremamente simples, não havia dinheiro para grandes viagens, mas sobrava disposição dos adultos para nos oferecer dias diferentes. Eles conseguiam sempre. Em todas as férias estavam meus primos Paulo e Júnior, minha irmã e eu. O adulto mais frequente na nossa infância era a minha mãe, animada, divertida e inventava boas brincadeiras.

Havia também algumas viagens para a cidade onde morava a família do meu pai. Itajubá, no sul de Minas Gerais. Lá encontrávamos com primos que pouco víamos, tios distantes mas, confesso, deliciosos. Em especial meu tio Hilário, até o nome era divertido….

Uma viagem para a fazenda de um tio, num fusca… meu avô, minha avó e nós – quatro crianças… e malas, claro! A viagem com mais de 500 quilômetros de distância durou quase um dia inteiro.

Pensei em vários momentos divertidos que havíamos passado juntos. Elegi uma temporada em Santos, quando um tio  alugou, sem conhecer, um apartamento no litoral por 15 dias. Fomos para a aventura na praia dois primos meus, minha irmã e eu, minha mãe e minha tia.

O apartamento era um horror, em cima de uma padaria que começava a trabalhar às 4 da manhã. À noite, quando fechavam as portas e desligavam os fornos, o calor subia para o apartamento, o chão queimava a ponto de não conseguirmos colocar os pés sem um calçado. Os tacos pulavam. Para ajudar, havia ao lado do apartamento um campo de bocha, até hoje não sei jogar isso, mas sei que bolas de ferro batem umas nas outras, fazendo bastante barulho e, de repente, os jogadores gritam.

Dormir, pra que? Dada a adversidade das férias, minha mãe resolveu animar os nossos dias e as nossas noites. Íamos para a praia cedo, voltávamos para o apartamento, almoçávamos e dormíamos à tarde. À noite, farra, hora de histórias e até uma escola de samba formada por nós 6. A diversão era tanta que mal percebíamos os problemas do apartamento. Minha mãe provocava a minha tia, ela ficava louca e nós achávamos graça em tudo.

Lembrei de cada detalhe dessa história, das risadas intermináveis e exageradas, da festa que fizemos naquele pequeno apartamento do litoral de São Paulo.

De repente me dei conta

Eu me lembrei da minha pior temporada, do pior lugar que vocês poderiam ter ficado. Lembrou de tempos ruins onde sua mãe e sua tia não tinham dinheiro para nada, vocês só podiam mesmo ir do apartamento para a praia. Comer só em casa, nem pensar num parquinho, nada além dos dias de sol na praia. E você se lembra das brincadeiras, dos sorrisos, dos dias juntos, das pessoas, da sua mãe sempre tão divertida e pronta para brincar com vocês, sua tia, mais preocupada, mas também sempre disposta a estar junto, da amizade entre vocês que faz com que pular na cama seja uma grande brincadeira.

Lembre-se sempre destas férias, não porque eles sejam os melhores, mas porque eles vão te acalmar em momentos onde a adversidade fizer parte dos seus dias. Lembre-se sempre que são momentos complicados, histórias que começam mal, mas que com talento, você faz com que termine bem, são eles que fazem as suas melhores histórias.

Nesse dia, para ratificar sua teoria,  a vovó ainda me lembrou dos desenhos animados, só são engraçados porque vivem na adversidade.

Durante toda a minha vida, passei por mais uma série de momentos difíceis. Às vezes fica difícil lembrar das férias na praia, mas eu me esforço e isso me dá a certeza de que estou escrevendo mais uma história inesquecivelmente divertida.