Apresentando a minha avó

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Eu tive uma relação muito intensa com a minha avó. Ela esteve ao meu lado em todos os meus momentos, desde aqueles sem muita importância, até os mais importantes da minha vida. E em todos ela me ofereceu uma cor especial. Um conselho, um gesto, um colo, uma comidinha caseira, um café quente… Isso porque carinho tem várias jeitos de se fazer. E ela conhecia todos eles.

E se você me pedir para descrevê-la, não vou conseguir, porque ela foi mudando conforme o tempo passava. Quando eu era criança, e até completar uns 15 anos, a vovó era muito grande. Pés, mãos, braços, seios… tudo nela era grande. Eu cabia perfeitamente em seu colo e me acomodava muito bem.

Quando fiquei mais velha, ela já não me parecia tão grande assim, mas nunca a vi pequena, nem do meu tamanho. A lembrança que eu guardo da minha avó é de uma mulher altiva.

Surpreendente, curiosa, com fome de novidade, cheia de aprendizado em cada palavra, em cada forma de agir.
Cabelos castanhos, ondulados e curtos. Pele clara, mas não alva e os olhos… havia algo em seus olhos castanhos que sempre me chamaram a atenção.

Os olhos da minha avó me viram crescer e olharam atentamente cada passo, cada aprendizado. Eu vi seus olhos chorarem com uma tristeza minha; se emocionarem com uma vitória que eu trouxe pra casa; sorrirem com uma descoberta que eu fiz; ficarem aflitos com um momento de indecisão pelo qual eu passava… Os olhos da minha avó viveram as minhas histórias e viam brotar em mim cada gota de ensinamento que a vida me dava. Olhos atentos, eles muitas vezes corrigiram o caminho de uma lição mal interpretada. Funcionaram com um fermento de amor que me fez crescer – realmente – crescer.

A vovó usava dos ditos populares, dos provérbios que aprendeu nos livros de grandes escritores, e outros que ela própria criou. Frases feitas e outras também feitas por ela. Mas nunca assumiu a autoria de nenhuma. Diz: – ‘Ouvi uma vez…’ Ah! E as histórias. Todas, segundo ela, verdadeiras, mas quase todas como forma de dizer o que precisamos ouvir ou saber.

Hoje adulta e sem os seus olhos, olho a sua – e minha – família. Olho com atenção as pessoas que ela amou e outras que ela amaria se tivesse conhecido melhor. Os olhos que me viram crescer não se fecharam para a vida, porque continuam em mim.

Até hoje sento na varanda do apartamento, olho para uma estrela e… sei que é ela… daí converso, troco ideias e sinto que ouço suas respostas.

Essa é a minha avó. E a sua, como é?

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